quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Será que estou envelhecendo?

Faz muito tempo que não escrevo nada. Muitas vezes o dia a dia esmaga nosso tempo com uma certa brutalidade silenciosa. Nós vamos para o trabalho,encontramos nossos amigos, tomamos uma cervejinha no fim de semanae o tempo vai caminhando quieto, paciente e incessante.
Algumas pessoas vão saindo de nossas vidas, umas deixando saudade, outras boas risadas,e ainda as que deixam tristezas.
Novas amizades se formam.
Antigas se modificam, se transformam, se refazem: vamos ganhando mais carinho, respeito e boas lembranças com elas.
Rugas vão aparecendo no rosto, contando nossos segredos ao mundo. Nossos antigos medos agora parecem bobos, e os novos medos surgem prontos para serem despostos.
O tempo continua passando calado, infinito e incansável.
Um filme na sexta à noite, um barzinho com música no sábado ouvindo MPB, dançar fica para o próximo fim de semana...
Se ve escutando Caetano e Chico quando volta do trabalho.
O jornal já parece interessante.
As comédias mais bobas já te arrancam um riso solto.
Você costuma a valorizar mais as horas de sono e o seu tempo sozinho.
Chega um pouco mais atrasadopara reuniões e sempre sai mais tarde quando vê os amigos.
A alegria e a tristeza se tornam ambas belas com sua plenitude e embriaguez.
Até mesmo a beleza acaba ganhando um certo ar de solidão e amargura.
O sol continua a aparecer todos os dias, e, como surge, em todas as noites se despede.
Marcando o tempo que passa pelos nossos dedos, mas que corre pelas mãos e beija nosso rosto: Imponente, indiferente, livre de qualquer algema ou prisão.

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