domingo, 15 de agosto de 2010

Incertezas e a atriz de frases rasas

Como de costume só apareço nesse blog para contar meus problemas, o que deve parecer aos meus poucos e raros leitores que sou uma pessoa um tanto melancólica.
Mas, fazer o que?
Minhas mãos pedem muitas vezes linhas a serem escritas em momentos de alegria, porém este sentimento é algo tão enebriante que embassa qualquer outro igual ou vontade peculiar. Momentos de tristeza são diferentes, eles te isolam em um manto, te envolvem e arrastam para uma certa solidão onde as letras acabam por ser inevitáveis.
Hoje é um desses momentos, receio, uma pitada de medo e algum remorso me assombram. São figuras estranhas e desfiguradas descansando tranquilamente ao meu lado, instáveis e imprevisíveis podendo ou em um surto destruirem toda a sala ou simplesmente continuarem sentadas tomando chá. Como já dito por Luís Fernando Veríssimo em seu poema “Quase” é a dúvida, a incerteza do ser ou não o que mais incomoda .

Além do que, meu isolamento, principalmente devido a minha incapacidade de confiança nas pessoas, como seres humanos, indivíduos racionais ou até como sociedade e consequente formação de personas criando a minha  tão temida atriz de frases rasas acaba funcionando como um catalisador para todas essas reações.

Me sinto sozinha, decepcionada, receiosa. E o pior é que ainda consigo sorrir naturalmente como se nada estivesse acontecendo, vivendo a vida simplesmente a cada dia, como se cada passo dado me levasse à um caminho aleatório e sem direção para lugar algum. Sem rumo. Talvez uma paciência estúpida exista em mim, gerada por uma lógica e auto-controle um tanto doentio, que me façam esperar chegar ao sol com asas de cera.  
“Não há quem sustente uma luta mais árdua do que aquele que se tenta vencer a si próprio” (Kempis , Thomas)

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