
Existem certos momentos de nossa vida em que parece que algo se deslocou do lugar, perdeu seu equilíbrio tradicional e está orbitando sem rota no meio do espaço. Algo perdido, que desprendeu-se de algum elo físico, tornando-se anormal, errado, quase um aborto que vive, algo disforme e estranho no seu sentido primário da palavra.
Todos nós sempre temos muitas dúvidas a serem resolvidas, remorsos de ações não feitas, rancor com algumas pessoas e ações, erros que não conseguimos perdoar mas que achávamos que já deviamos ter superado, medos infantis e presentes, mentiras que nos contamos e verdades que devíamos acreditar.
Porém nesse dia tudo se encontrava em um grande caos, como no nascer dos titãs, na divisão do firmamento, na terra e do ar conforme os gregos contavam o início de tudo. Tudo se misturava em uma massa de sentimentos, e isso não impedia de sentí-los em cada individualidade. Apesar do amor e do ódios estarem entrelaçados, envolvidos, eles não estam ligados, podem se sobrepor um ao outro em momentos em qual são evocados, como se nada houvessem em comum, como se nada houvesse entre eles.
Porém, como a larva descendo, borbulhando, queimando a terra... ambas se misturando e logo não sabes até onde a larva é pura e onde há somente terra, sem limites... e então você se vê chorando quando está rindo, um riso com gosto de tristeza, e um choro com certa alegria. Tantos sentidos primários, o toque de duas mão, o encontro dos lábios, um grito de raiva, o medo... todos tão diferentes e semelhantes em essência, uma origem única e primitiva de expressão do homem dentro do caos, dentro de nós.
Há possível haver um equilíbrio dentro do caos? Acho que sim. Como dentro do universo físico uma massa se reorganiza em um recipiente procurando um equilíbrio para seu estado de repouso o caos dos sentimentos da natureza humana tentem a se reorganizar constantemente em um equilíbrio dinâmico no meio onde se encontram... a felicidade, o melancolismo, a euforia, a raiva, o amor ocupando seus lugares (uns maiores que outros) dentro de uma grande massa disforme e lógica.
Dentro disso imagine um rompimento, um desses fragmentos se solta deixando um grande buraco no meio do caos, uma grande brecha, um grande vazio que aos poucos vai consumindo tudo em volta, e você não sabe qual parte perdeu... está atônito, confuso, perdido enquanto sente que algo lhe falta, que algo importante lhe foi tirado, que há um grande nada dentro de tudo o que havia.
0 opniões:
Postar um comentário