Somos sempre confrontados por nossos medos.
De um armário escuro ou de um sotão abandonado surgem, sem aviso ou recado.
Invadem nossos sonhos, entranham-se em nossos pesadelos.
Sentam no sofá de nossa sala
Comem nossa comida.
Crescem, vivem, imaculam-se dentro de nós:
Sem escapatória, fuga ou disfarce.
Aprendemos a conviver com eles frente a frente, face a face, sem enlouquecer.
E em um dia qualquer, numa tarde comum, sentem-se, eles, maduros a desprender-se do galho.
E ao invés da alegria esperada pela despedida do inconveniente inquilino, vem um vazio, uma tristeza: solidão.
Então notamos que não foram eles que se foram, fomos nós que demos adeus aquele velho corpo.
E nesse novo lar que encontramos, nossos medos já fazem parte de nós.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
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4 opniões:
'num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra..'
deixei meus sapatos molhados pra entrar nesse novo lar de palavras que encontro ao te reler, alguns medos já fazem parte mas muitas alegrias também já existem. e muitas estão por vir, assim como mais medos, e mais alegrias, o que importa é sorrir(mos). sempre..
Ainda que deixados para trás, os sapatos molhados nos deixam marcas. As mesmas marcas que deixamos quando modelamos os sapatos com nossos pés.
O sapato lá fora também está cá dentro.
Assim como as invisíveis marcas do oculto "eu" se revelam constituintes do "eu" liberto em letras.
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Admirável, amore.
Beijo.
Bem original!
Tenha um bela manhã de sol!
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