domingo, 29 de novembro de 2009

Poesia


Do insaciável criou-se a sede que seca teus lábios e castiga tua garganta
Dos lábios surgiram as palavras que queimam e aquecem
Na morte, na vida
Na eternidade e no efêmero
Das palavras vieram os livros, a sabedoria e a arte
E junto desta toda a dor de um mundo, de uma sociedade, de um indivíduo
Da arte nasceu o insaciável...
E a sede, os lábios, as palavras... e o homem.
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O impossível


Minha mão pede um poema que as palavras não querem escrever, minha sede pede a água que as fontes não podem dar, minha alma pede as carícias que um abraço não pode oferecer...
Meus olhos pedem as lágrimas de um coração que não pode amar.
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sábado, 24 de outubro de 2009

A felicidade


Ela caminhava sem pressa ou precausão pelas ruas enormes, e era incrível como passava despercebida no meio de tantos olhares alheios, talvez ignorantes de sua presença, irremediavelmente infelizes por não encontrá-la.
Era clara e bela, suavidade nos passos, mas de olhares densos, com um "quê" de tristeza por andar tão sozinha; como uma pintura incompreendida, que aos olhares tolos era nada mais que apenas uma simples paisagem, ou um velho pescador em um casebre, porém pór trás daquela tela miseravelmente real existia todo um conteúdo, uma substância inconsistente e ao mesmo tempo quase que palpável: sentimento em sua origem absoluta.
Tantos a tinham procurado, com olhos cegos, com ânsia do caminho... tateavam mas não a encontravam, surdos, inquietos e indefesos.
Não imaginavam que ela caminhava entre eles, juntos por ruas e ruas, quarterões e cidades... por toda uma vida (quase que de mão dadas).
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Solidão


Frio, confuso, exausto... depois da caminhada inicial a estrada tornou-se deserta.
Andou por horas, seus pés doiam, suas pernas por vezes banbeavam, mas era como se algo a mais o fizessem seguir em frente, uma última e tola esperança, que sustentava o corpo e formavam os seguidos passos.
Tudo era tão cansativo, melancólico, triste.
Seus braços fazim os ombrom pesarem, sua cabeça era baixa: olhos fixos, soltos, vazios.
Talvez fosse apenas a chuva que caía, as ruas escuras, ou os prédios antigos... mas eu desconfiava que fosse solidão.
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Uma Menina


Eu vejo uma menina
No seu quarto, em sua cama
Com suas bonecas, seus sonhos
Mas sempre sozinha

Eu vejo essa menina
brincando na rua
Lendo seus livros
Prendando seu vestido
Mas sempre, sempre sozinha

Eu vejo uma menina
Buscando dentro do espelho sua vaidade
Conhecendo outras meninas
Descobrindo o amor
Descobrindo a dor
Mas sempre sozinha

Eu vejo essa menina
Dentro de mim
No meu trabalho
Nos meus estudos
E pesadelos
... sempre sozinha
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Nós dois


Acabou-se o tempo de amar
O tempo de se doar inteira, infinda e completa
O tempo em que as lágrimas possuíam algum valor ou significado quando rolavam do teu rosto e inundavam o teu ventre
O tempo em que tuas palavras revelavam-se doces e afáveis e não este sopro de angústia a qual se tornaram
És finda toda uma época
Época de mão e abraços e carinhos, de beijos e promessas
Época de árvores longas, bosques primaveris e sol da tarde
Uma época em que você e eu bastávamos e o mundo era apenas um cenário do nosso amor
Estamos em uma nova Era
Em que a fé tornou-se obscura
Em que os seios maternos tornaram-se maculados
Em que o amor encontra-se morto
Era em que não há espaço para nós dois
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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Convivência

Somos sempre confrontados por nossos medos.
De um armário escuro ou de um sotão abandonado surgem, sem aviso ou recado.
Invadem nossos sonhos, entranham-se em nossos pesadelos.
Sentam no sofá de nossa sala
Comem nossa comida.
Crescem, vivem, imaculam-se dentro de nós:
Sem escapatória, fuga ou disfarce.
Aprendemos a conviver com eles frente a frente, face a face, sem enlouquecer.
E em um dia qualquer, numa tarde comum, sentem-se, eles, maduros a desprender-se do galho.
E ao invés da alegria esperada pela despedida do inconveniente inquilino, vem um vazio, uma tristeza: solidão.
Então notamos que não foram eles que se foram, fomos nós que demos adeus aquele velho corpo.
E nesse novo lar que encontramos, nossos medos já fazem parte de nós.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

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sexta-feira, 29 de agosto de 2008


Todo escritor, em origem, tem dentro de si o complexo de ser Deus: a magnífica arte da vida.
Pense o que sentiria se tivesse o poder de criar um homem, seus sapatos, seus cabelos castanhos, seu sorriso oblíquo, a maneira a qual dobra o colarinho, tudo a seu gosto.
Imagine ruas com luzes basas em postes estúpidos, uma brisa vespertina abdicando ao negrume e ao sereno.
Monte um bar escuro, recrie as antigas ruas do Rio de Janeiro.
Um homem de olhar triste por trás do balcão.
Cadeiras vazias.
Nenhuma música ao fundo.
Apenas silêncio.
Com uma caneta ao punho criamos a vida, o nascer de uma criança, a morte de uma amor, talvez... uma suposta traição, segredos confessos, crimes omissos.
Criamos chapéus, olhares, rugas, passados distantes, países magníficos, refúgios solitários, ilhas, praias.
Criamos dor, prazer, gozo.
Uma falsa ilusão.
Oferecemos aos leitores eles próprios entregues a si mesmos, disfarçados por homens e mulheres indiferentes e inventados.
Oferecemos aos leitores uma verdade escrita em mentiras.
Enquanto nós, ilusionistas complexados na vida e em sua essência, sentamos em uma cadeira dura, em uma noite qualquer, solitários e angustiados, buscando sem saber ao certo qual o objeto procurado. Simplesmente colocamos letras, palavras e parágrafos os desejos inquietos, as questionações infinitas, as dores exaustivas, pondo na mesma taça de xerez a vida que é repetida no virar dos dias, anos e séculos dentro de cada homem.
E, no fechamento do couro encadernado, da noite monótona, dos repetitivos programas televisivos, sentimos os pesos das linhas curvando nossas costas: o médico criou o mostro.
Vazios, incapazes da criação perfeita, da poesia impressa que mate a fome do mundo e a nossa própria, recorremos a outros mestres mais habilidosos para nos convencer, nos iludir...
Desta forma damos, por fim, continuidade a mais sedutora e complexa forma de escapismo inventada pelo homo sapiens.
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terça-feira, 1 de julho de 2008

O orgulho




Não estava de baixo da cama; 
também não entre as roupas sujas;
diria que menos,
muito menos, 
o acharíamos em cima da mesa.
Clara o deixara por algum lugar 
- sabia! -,
largado em um canto esquecido,
dentro dos livros talvez...
Talvez algum lençol seco e sujo o revela-se...
Quem sabe atrás do sofá?
Encima de um móvel?
Há tanto tempo ela não o usava que,
no fim, 
o colocara num abrigo esmo no caminho da memória.
Algo se apagara nas antigas lembranças e nas velhas fotos...
Algo se esquecia,
desviava-se, 
corrompia-se.
- ...onde estás? - 
repetia a si mesma, 
nervosa,
impaciente, 
agoniada... 
- onde estás?! - 
repetia e repetia.
Na sala não o viu,
na casa não o achava,
na rua não se estava,
os quarteirões alongavam-se estúpidos,
formavam bairros extintos,
cidades esquecidas,
países imaginários...
E a busca tornou-se insana, 
atordoada, 
abstrata.
Onde, enfim, encontrava-se o indigente?
Escondido nas linhas dos velhos autores, 
paixão onde encontrara, 
antes, 
tantas saídas?
Estaria, ele, no beco de algum poeta?
Nas sete faces de José?
Em Itaguaí... talvez?
Clara não conseguia reencontrá-lo:
papéis, 
sonhos, 
palavras escritas em vão!
Clara não conseguia reencontrá-lo...
Suspeito que ela o tenha perdido pra sempre.
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domingo, 15 de junho de 2008

Thiago

E fora-se, já, a manhã daquele dia.
Mais uma vez via-se descer a rua tão familiar, o sol a pino, em veloz desajeito, entre carros, pedras e vizinhos distraídos.
Mais uma vez, Thiago sentia as lágrimas precipitarem em seus olhos, na eterna ânsia de redenção.
Porém, novamente e mais uma vez, a engolia em seco, entremeios a soluços e gemidos calados.
Parou em frente a uma casa: não queria entrar.
Baixou a cabeça.
Fechou os olhos.
Respirou: tentava devolver o ar que a corrida cobrara do pequeno corpo.
Pensou esperar um minuto.
Talvez dois.
Até, enfim, tomar fôlego novamente para uma nova corrida mas de uma forma diferente: um jeito em que as pernas não são necessárias, e que não existe um ponto final ou meta.
O chão duro, a parede descascada, a garoa fina não conseguiam o incomodar.
Os pés em calos, as costas em carniça e os hematomas: não sentia.
Sentado, ali, na rua dos Pássaros, no calor do meio dia, acalentado por um vento que refrescava-lhe o suor: tinha um raro momento de paz.
Seu cérebro infantil forçava, urgia, berrava...
Contudo, não conseguia entender certas coisas em sua vida.
Incompreendia o porquê dos garotos da escola o odiarem tanto.
Ou, o motivo para sempre estarem tentando, com poucos fracassos, surrá-lo, na saida das aulas, quase todos os dias.
Não sabia o que fazia de errado para que, dentre todas as crianças do seu pequeno colégio, não tivesse, ao menos, um amigo.
Talvez as roupas velhas que o menino usava, quem sabe, pura e simplesmente, seja o fato de Thiago ser muito tímido, extremamente acanhado...
Ele não saberia dizer...
Contudo, a escola é apenas uma parte da vida de um menino.
Mas as dúvidas do pequeno não terminavam assim.
O garoto também não conseguia entender o que acontecia para seus pais estarem sempre irritados um com o outro.
Não concebia, em seu olhar de infanto, o que levava o patriarca, depois de uma estúpida discussão, inferir, na progenitora, um quente colo de punho nas duras mãças rosadas...
Gritar, e sair, e fugir, porta a fora, cuspindo nomes engraçados e ameaças frias.
E sua mente, em um nó de poesia, deixava confuso os pensamentos pueris, logo que, após a briga, a mãe em pranto maldizia em lágrimas e lamentos, a vida que tinham.
Entretanto, Thiago gostava da vida - de vivê-la - mesmo com tantas questões irracíveis para uma cabeça de menino, e queria mostrar, para sua senhora, que nem tudo era de tão ruim.
Porém, mais uma das milhares, a vida provava-se ilógica, e deixava a criança mais perdida que outrora, pois sempre que ia abraçar, beijar ou meramente beijar a mão da lânguida mãe, a mulher, convertia-se em fera e, cega pela ira, despejava-lhe esmurros, insultos, humilhações: espinhos implícitos e desentranhados.
Thiago segue assim: continua.
Sem entender, compreender ou decifrar.
Sem intuito ou razão alguma...
Ele passa por carro, pedras e vizinhos distraídos.
E mais uma vez thiago desce a rua...
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Viagem de ônibus

O mundo lá fora parece,
pura e simplesmente,
o caos:
Um verdadeiro inferno de Dante.
As luzes acendem.
Apagam.
Voltam.
Machucam os olhos.
(Por que são tão claras?)
Abandonada a mim mesmo,
sozinha,
assisto da janela o mundo lá fora.
Os fugitivos ,
os que tem medo,
os lutadores,
ou os conformados,
todos juntos
parados,
imóveis,
inertes,
sem voz
calados,
mudos
seguindo na rua,
ou dentro de um ônibus.
O espetáculo continua,
e sempre continuou...
desde o nascer dos séculos,
do milagre do fogo,
mesmo antes dos gregos,
da sociedade...
Sempre paralelo,
cansativo
paradoxal,
febril,
imutável,
totalmente indiferente
aos sobreviventes
ou mortos no caminho.
Aos feridos
e ébrios
restam apenas a espera
estúpida
ilógica
de um não destino.
No ônibus
na rua,
nas casas,
no mundo,
os carros se movimentam,
a vida caminha,
o bebê grita ao nascer...
A mulher resigna-se os esmurros matrimoniais,
o homem queima as dores no bar
e a criança chora,
sozinha,
quieta
e eterna,
em canto da sala.
Sombras irreais murmuram algo ao fundo,
longe,
muito longe de escutar...
Palavras soltas,
sem sentido,
perdidas no vento que as carregam,
na distãncia que as calam.
Alguém as surrurra
em como auxílio
socorro e,
tão frágeis,
parecem semear alguma esperança.
Os olhos resplandecem,
o quarto está escuro,
as pupilas tentam resgatar,
neste vislumbre,
a luz abstrata que se insinua desta voz
quente e viva.
Porém os cansados ouvidos não escutam mais!
As mãos só conseguem tocar um chão
frio
duro,
e a garoa fina começa a precipitar-se,
castigando o corpo de carne surrada.
Talvez haja um brilho místico
impecável
em meio a neblina,
uma estrela ardente e forte
no breu da noite...
Mas o sonho está morto,
perdido,
desfeito,
irremediávelmente assassinado
por tantos
- e quantos! -
algozes.
Não há mais fruto brotando do ventre.
Das sementes mais nobres
apenas os galhos se fortalecem
da morte das flores.
É um mártire não conseguir enxergar a vida,
não ser capaz de tocá-la,
porém dor mais intensa e cruel
é vê-la e não ter força
- ou desejo, vontade -
para prová-la...
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segunda-feira, 12 de maio de 2008

A palavra

Nem o mais elouqüente orador poderia descrever a própria lágrima com alguma essência de verdade.
A palavra tem limites e segredos que o homem não é capaz de decifrar...
E, para o poeta, ela é como uma esfinge para um édipo que não existiu;
é o emplasto de Brás Cubas;
são os olhos de Capitu...
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domingo, 4 de maio de 2008

A história de um móbile



Hoje, de manhã, a casa estava mergulhada em um silêncio atípico - estranhou.
Pensou que, talvez, os moradores tivessem saído.
Mas ouviu risos, confusos risos, familiares risos.
Na televisão passava um desenho de quando o filho do casal era criança.
A mãe lembrava e contava ao pai que ela e o menino vinham correndo do colégio para assistí-lo - uma alegre e desperta lembrança!
Eles estavam felizes entre eles...
Era como que tudo se completasse nas tríades figuras pitagóricas.
Um bom número o 3.
Pai, mãe, filho...
As essências de uma família: o ponto exato em que um apaixonado casal deixa o dualismo domiciliar para a incersão de uma alegre imagem infantil!
A felicidade está completa.
Mas, quem seria a figura invejosa no quarto?
Qual ser aquele que bebe cada gargalhada como fosse da taça de Romeu?
O que a criatura faz, atenta e taciturna, por trás de portas e paredes?
Seria um intrometido espectador...?
Quieta, cega e imóvel, a inerte mobília usa seu dom humano para deliciar a felicidade momentanea e eterna daquele lar.
Raras, porém marcantes lembranças têm delas.
Um aniversário paterno em que a matrona e o primogênito acordam felizes o patriarca!
Ou um feriado distinto onde o núcleo familiar planeja apreciar um passeio...!
Não importa agora...
Apenas difíceis acontecimentos, exceções para aquele local, raras descontrações que transformam a casa verde em um verdadeiro lar...
Mas não pense, tu, que o móbile, em sua humilde arrogância, nunca desejou ser parte dos humanos sentimentos familiares.
Por vezes esqueirou-se até os agéis seres ambulantes, buscando uma certa porta ou entrada para aquele mundo.
Mas era sempre um mesmo fracasso: o flúido mágico e descontráido sempre se rompia com sua asquerosa e odiosa presença - criatura pertubável! - e logo quanto antes pudesse ser feito era arrastado e sepulcrado em seu lugar de móbile, de espectador na divina comédia!
Era apenas um ignóbil faxineiro, em sua limpa noturna a apreciar, ávido, entorpecido e triste, um quadro de Van Gogh...
Com o tempo, o estagnado ser, não querendo estragar o enigmático espetáculo, resignou-se e deixou definhar seus desejos e tentativas de ser um membro daquele lar.
Hoje, ele apenas observa, deleita-se e alegra-se com esses raros espasmos leves e felizes da família que tão ardentemente desejou ser parte, mas que, agora e sempre, mostra-se tão longe de qualquer espectativa.
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quarta-feira, 23 de abril de 2008

Romantismo


Apesar de sempre ligarmos a França uma visão mais idealizada do romantismo, é curioso saber que foi nos ventres ingleses e alemães que o romance surgiu. Tendo-se consciência das turbulências européias no século XVIII, é inviável pensar uniformidade nas tendências desta época. Porém, há pontos de singularidade que conseguem concentraros grupos artísticos em três gerações.

A primeira geração, de conteúdo nacionalista, mostra certo otimismo e idealismo influenciado pela Revolução Francesa. A agitação, a euforia, os ideais revolucionários, traziam um sentimento de evocação as belezas da pátria, ao herói nacional (o índio), ao amor.

Contudo, o entusiasmo definhou e os novos escritores viam-se desiludidos e desacreditados das lutas sociais, da inércia política de mudanças, fato que reflete nos sentimentos dos indivíduos. O tédio envolveu os poetas e, estes, eram chamados de ultra-românticos, talvez pelo exagero, pelas hipérboles sentimentais espressadas. Mal do século, os denominam, aqueles que ridicularizam ou não entendem que as vezes o mal é necessário. Entretanto, a dor em certo tempo e medida traz revolta, e é assim que a terceira geração é conduzida.

O condoreirismo resalta as lutas, a mobilidade social, a agitação, a tentativa de mudança.

De certo modo, esse ciclo é algo comum a natureza da vida:
- Primeiro, voamos em um vasto céu com Pícaro;
- Depois, ao termos nossas asas desfeitas por um sol real, claro e avassalador, descemos ao submundo e convivemos com Ades, passando dias de vida entre os fantasmas;
- e, por fim, quando superamos as escadas de mármore, caminhamos ao lado de Freud...
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segunda-feira, 21 de abril de 2008

Deseo


Escucha mi voz
Mira mis ojos en tu ojos negros:
Ven que te quiero cantar...
Bailar en tu son...
Mezclar tu pêlo, tu raices...
La rumba y lo guaguanco...
Tu sentimiento mi mueve pa' que lo bailes tu
La musica de mi corazón...
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O Carnaval


Ele despediu-se de mim: eram quatro horas da manhã.

Ouvi sua voz dar-me um boa noite amoroso.

Seu sono era cansado e ele não percebia a dor nas minhas palavras, aliais: já era tarde e era uma sexta de carnaval.

Havia foliões na rua.

Milhares de apaixonados enlaçados e egoístas pelas avenidas e bloco de figuras flutuantes.

Existem belas damas mascaradas e rapazotes animados com os confetes e serpentinas.

Na noite tem estrelas e uma lua branca como esta folha ilumina os versos de amor sussurrados em gélidos ouvidos e logo esquecidos na quarta-feira de cinzas.

Observos os vultos que cortam meus passos e encontro neles uma procura desesperada por felicidade - busca insana por alegria.

Sem medir consequência eles se entregam aos prazeres da carne e não compreendem o meu deliciar "anormal" de estar sozinha, num quarto silencioso, escrevendo no meu caderno.

Não os peço que me entendam mas confesso que pouco espero desses estranhos: não mais que o farfalhar de um triste palhaço.

Nesta noite de folia encerro aqui as mais duras reflexões.

Apesar da música animada lá fora , mesmo com gente de sorrisos quase que talhados rimando um samba divertido, eu encontro no meu quarto menas solidão do que vi nos olhos daquelas pessoas.

Existia tanta angústia naquelas almas: como se pudessem agarrar em cada requebrar da mulata e verso do sambista as respostas de seus problemas.

Eu vi olhares medrosos e furtivos, cansados da vida, exaustos dos pesos, tentarem no carnaval se esconderem atrás da fantasia.

Eles estavam se anestesiando, fugindo para uma Pasárgada moderna, tudo para conseguir continuar suas caminhadas ao longo das pedras: uma dose forte de um calmante, uma droga, injetada na veia e levada ao coração todo os anos 40 dias antes da páscoa.

Era simplesmente o enjaular do sentimento universal, a dor da solidão de cada indivíduo, o sofrer secular por qual todo ser passa.

Maldita festa da luxúria, tu me fizeste penar...

Durante tanto tempo tentei enfrentar meus desafios com uma força que eu não tinha e logo nesta sexta-feira de carnaval eu aprendi com aquelas pessoas que antes precisamos ser covarde pra somente depois conhecermos a verdadeira coragem.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Nasce um poeta

O poeta chora a dor do homem... ... enquanto o homem mata o poeta.

A pior dor para um escritor é a perda de suas palavras.
Hoje eu descobrir o vício da escrita.
Aqui, jaz o homem dentro de mim, para dar lugar ao poeta que nasce.

(Janeiro de 2001)
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Sapatos de Van Gogh

-(...) Segue a transversal, dobra a segunda rua a direita e desce até avistar uma casa verde.
-Algum ponto de referência?
-Bem.. Uma rua depois que você passar em frente a igreja de São Pedro.
-E em nome de quem eu mando o Taxi, a senhora tem cadastro?
-Não, o taxi não é para a pessoa que se encontra com você no telefone, minha querida, é para a pessoa que vai deixar essa casa.
-Ok senhora, mas que nome eu posso informar ao taxista?
-Boa pergunta...
-Desculpe, mas não estou entendendo.
-Diga que é o Passado que está partindo, sim, pode informar ao motorista.
-!?
-Diga que é um menininho e está sem acompanhante e, talvez por isso, não saiba o rumo que este carro irá tomar. Diga também que ele é muito quieto e tímido: que tem medo do mundo e que não tem coragem de enfrentar os novos caminhos. Não se encomode se acaso ele dormir no taxi, pois anda muito cansado - seus dias e suas noites não são de paz há algum tempo: ele anda muito doente. Deixe-o adormecer, a viagem é longa e sua vida foi curta. Está na hora de partir, ele tem que ir embora para seu irmão nascer...
-Senhora, acho que ligou para o número errado.
-Oras... Aí é companhia de taxi?
-Sim.
-Então estou no número certo! A moça não entende, certo?
-Não estou conseguindo entendê-la, quer que eu passe para outro atendente?
-Não, não, de maneira alguma!
-Então como posso ajudá-la?
-Eu estou lhe dizendo! O Futuro só pode nascer quando o passado estiver em paz e estou pedindo um taxi para mandá-lo pra longe, para descansar e ficar em paz!
-E qual o destino que o Taxi vai seguir?
-Não sei... Bem longe!
-Preciso de um endereço senhora.
-Praia do Flamengo, no quarterão do palácio da república, na esquina, no lado de frente para praia, mais extamente no quarto de empregadas.
-Obrigada senhora, mando o taxi agora?
-Nada! Eu que agradeço! Pode mandar sim, acho que estou preparada... Tenho que estar1
-OK. Eu telefono quando o taxi estiver no local.
-Obrigada! Não sei como agradecer!!!
-Custa em média R$40,00.
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Quadro de Monet


- A cada passo que dava era um a menos ao fim do mundo. A saudade apertava o peito em cada andar de pés naquela rua de árvores grandes. Um soluço sufocado ou uma angútia tímida... não sei dizer, mas, de fato, sentia o pulso daquele lugar, respirava seu instinto: aquela travessa que clamava crianças brincando em seus paralepípedos apenas mostrava os fantasmas de uma felicidade morta com o crescer da cidade e esquecimento das velhas coisas. Eu sentia de cada pedra ou cimento desse estranho habitat como um sussuro em confisão contando um antiga história ou revelando uma verdade omissa. Meu espírito era leve ao caminhar por aquelas calçadas que eram cumplices de meus segredos e de meus sorrisos bobos. Ganhei uma amiga feita de casas, calçadas e paralelogramos disformes. O amor clandestino que surgia entre nós era um fascínio comedido que brotava e exalava um conto escrito ao vento:
Ali existiram dois jovens que se amavam.
Ela o esperara por longos tempos e em noites frias: o semblante de seu futuro amante se escondia nos confusos sonhos de menina.
Ele: se perdeu em sua procura e desistiu da amada que, em seus novos sonhos, tornara-se vulto inconsciente.
Não era seu primeiro encontro.
Outras vidas foram-se amantes.
Em antigos astros...
Vastos planetas...
Até seu amor pousar nos corpos de dois seres viventes naquela rua.
Ele a olhava esquio. Sentia o coração palpitar. Não entendia o porque de suas pernas não o obedecerem ou o débil motivo de seus lábios secarem. Não sabia a grandiosidade e a dádiva que recebera. Não via que apartir daquele dia as estrelas teriam significado e o mar tornara-se clamo: que a vida ganhara algum sentido com suas cores e dores.
Ela perdia seus olhos nos dele num amor submisso e calado: como se seu querer-bem fosse um pecado cometido. Os seus dias viraram compassados em um novo som em único ritmo. Os tons tornaram se contrastantes e aquarelados como num quadro de Monet.
Eram de um encanto ébrio e delicado:
Como liras...
Como flores...
Como folhas ao sol de verão...
Mas um dia seu sonho acabou.
Corria a rua infestada de crianças: situada perpendicular a uma movimentada avenida de veículos irreais aos olhos dos pequenos.
O sol era forte e a travessa quieta transboradava barulhos e risos infantis.
E a desgraça movimentou-se:
Com os passos mais gélidos que a crueldade pode dar um destino vez-se presente e levou a amante a atravessar a rua sem notar os veículos irreais que a esperavam no seu caminho.
Seu amado, meio que instinto ou apelo do coração, correu ao encontro da pequena mas uma mão que lhe era estranha o impediu de seu ato. Seu pulso deu uma ultima ginada de desespero e angústia. Sua respiração parou e o sangue que corria estancou... Seus olhos agonizaram com a cena: era dantesca! Suas pernas tremiam em assombro e sua mente custava a acreditar: ali no chão, em um vermelho vivo, estava sem vida a criatura que escolhera entra cada estrela do céu e pra cada luz do luar, a sua companheira que o destino marcara e que seria seu eterno sol e mãe dos planejados filhos - tudo perdeu-se como em um sopro de cartas...
Era a solidão invadindo, era o frio das noites futuras em que ela não estaria ao seu lado: era o mundo perdendo a vida que ele aprendera a amar e que agora não tinhas cores, nem texturas, nem perfumes...
Sentia uma rosa: a rosa de Hiroshima desabrochar em seu peito em tons cinza num quadro de Monet.
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